domingo, 31 de outubro de 2010

Eu tiro o chapeu pra vida!




















"DIE LIEBE HÖRET NIMMER AUF"
O AMOR NUNCA MORRE

Frase retirada do Novo Testamento. Encontra-se no túmulo do pai de Nietszche.



Enquanto anoitece em certas regiões eu me dou conta de que parou de doer e isso me dói mais do que a dor perdida.
Não que houvesse apego a dor, mas porque enquanto ela não passava uma parte de mim acreditava no que poderia ter sido ou no que ainda poderia vir a ser.
Passou a necessidade de entender. Passou a urgência.
Ficou a velha parede descascada. Pálida como a minha fé. Eu tinha tanta fé na sua força. Na sua coragem.
A sensação é uma lembrança do que nunca aconteceu. O perfume que se esgotou de uma carta que não fora enviada, ou melhor, foi enviada e você a guardou comigo.
Velhos muros, novos sonhos para pichar.
Com tinta, saliva ou sangue. Assim deve ser.
O contrário é que não pode acontecer: novos muros, velhos sonhos.
Amanhã, quem sabe, quando estiver refeita desse susto, poderei pichar um novo poema, ou, acreditar novamente em minha fé.
Eu não fujo da briga, eu apenas tenho prioridades. E convencer pessoas - mesmo as que mais amo - de que elas estão equivocadas não é uma delas! Prefiro botar meu bloco na rua...
De repente você cansa.
Cansa das músicas que sempre ouviu, das pessoas que te cercam, das roupas do armário, das ruas em que anda.
Cansa do jeito que penteia o cabelo, do jeito que levanta da cama todos os dias e das palavras que escolhe para não dizer o que realmente gostaria de dizer.
Cansa de procurar beleza onde beleza não há e até mesmo de desculpar.
Cansa de tentar fazer os outros enxergarem que seus pesadelos são apenas uma ponte rumo ao nada e não uma encruzilhada.
Cansa de ofertar o verão que queima nos olhos e de ostentar indiferença; e cansa, sobretudo, de fazer a diferença.
Cansa de tentar fazer o certo o tempo todo e de se perdoar quando faz o errado.
Cansa pelo drama do amigo distante, cansa pelas lamentações do amigo ao lado.
E por mais que você corte o cabelo, compre roupas novas, faça uma viagem, leia sobre assuntos inimagináveis, faça uma tatuagem, delete amigos do seu convívio, esse cansaço não passa.
Porque no fundo eu não estou cansada do mundo, mas como eu reajo a ele.
Não é difícil aceitar as pessoas como elas são, difícil é mudar a maneira como reagimos a elas.
Não é aceitar a vida como ela é que cansa, mas sim a dança que fazemos para nos esquivarmos de tudo aquilo que não entendemos ou sentimos medo.
Cansa tanto saber que estou apenas vivendo os dias, mas não estou viva!
Cansei de borrar meus lençois com lágrimas de um amor perdido.
Cansei de borrar minhas roupas nas sarjetas das impossibilidades.
Cansei de borrar minhas unhas tentando tocar o que não está ao meu alcance.
Borrei minha vida tentando me livrar de tua ausência.
Eu queria que as coisas fossem mais simples! Mas elas são. O que falta é coragem!
Simples como as manhãs de domingo.
Como perdoar alguém que desistiu do amor?
Como perdoar alguém que desistiu de mim?
Eu preciso me reconciliar comigo mesma. Ter fé novamente em mim.
Eu moveria o mundo por você!
E você não move uma palavra aos meus ouvidos.
Eu tiro o chapeu pra vida!
Quando achei que finalmente ela sorria pra mim...

Halloween!

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sábado, 16 de outubro de 2010

Tempo da delicadeza!










Descobri como se chega no tempo da delicadeza: chegamos no tempo da delicadeza quando conseguimos rir do que passou.
Quando conseguimos rir e sentir um acréscimo de estima por nós mesmos pelas tolices vividas.
Quando deixamos de sentir vergonha de nossos vexames e passamos a encará-los como estilo pessoal.
E estilo é como inteligência: ou você tem ou não.
Bukowski dizia que "estilo é a resposta de tudo, é um jeito especial de fazer uma tolice ou algo perigoso".
Posso não ter sido muito inteligente em alguns passos que dei, confesso, mas, todos eles foram vividos com muito estilo.
Chegar no tempo da delicadeza não quer dizer, necessariamente, entender o que se passou. Aceitar a maneira como o roteiro se desenrolou ou padecer de ausência de vontades.
Quer dizer, simplesmente, que você consegue rir dos tropeços que deu no baile dos seus sonhos e que sente orgulho de ter se jogado na dança apesar de não saber dançar o ritmo das nuvens.
O tempo da delicadeza, o bom e velho Chico, esqueceu de dizer:
é o tempo em que nos amamos, incondicionalmente, apesar e além de...
Quantas ruas sujas e abandonadas é preciso percorrer até que se entenda que as pessoas irão te magoar. Magoar única e profundamente: de um jeito que não se conceba que um ser humano possa fazer com outro.
Quantas noites mal dormidas serão necessárias para se entender que o sono é algo que o coração machucado não compreende.
Ninguém volta o mesmo de uma viagem.
A inocência perdida.
Para se amar de amor é preciso primeiro amar a si mesmo.
Só ama de amor aquele que conhece os próprios abismos e não espera encontrar no colo do outro um paradeiro para suas quedas.
É preciso encontrar um meio de sorrir mesmo quando a tempestade se anuncia.
Para se amar de amor é preciso aceitar que o outro existe independentemente de você e que você existe independentemente dele.
É preciso um bocado de inteireza e beleza nos olhos para não punir as manhãs que despertam cinza.
É preciso não culpar o outro por nossas falhas e faltas.
Para se amar de amor é preciso falar baixinho, porque o amor, como os passarinhos, foge diante de qualquer grito.
Para se amar de amor é preciso estar inteiro, porque quem ama a ilusão de que o outro é a parte que faltava, não ama de amor, mas sim a ideia de estar completo.
Só se ama de amor aqueles que sabem que o amor não é um encontro, mas um acontecimento inevitável.
Meu chão está faltando. Estou juntando os pedaços e não sei se um dia eles estarão como foram antes. Como é difícil respirar sem você!